26.2.11

Pragmatismo

Durante toda a semana que antecedeu o jogo de ontem com a Académica, Manuel Machado passou para os seus jogadores e para a comunicação social uma mensagem pragmática, baseada na crença de que para atingir o objectivo final (classificação europeia) era preferível jogar mal e ganhar jogos, do que jogar bem e perder.

Mas hoje, sábado, uma dúvida me assalta. Qual das premissas foi cumprida ontem? É que, não entendendo de futebol tanto como MM, ontem pude verificar que, nem jogámos bem, nem ganhámos!

E agora, sr. “professor”, que “teoria” é que nos vai tentar “ensinar” durante a próxima semana?
Se calhar, era melhor o “professor” rever o que anda a tentar ensinar e corrigir os seus próprios erros, que já não são poucos…

Depois deste desabafo, o jogo.
O Vitória entrou a fazer 15 minutos verdadeiramente avassaladores, com uma percentagem de posse de bola fantástica, mas, mais uma vez, sem conseguir concretizar. Apesar disso, a forma viva, rápida e de pressing constante evidenciada, fazia crer que teria havido um “puxão de orelhas” durante a semana e que a equipa iria “arrepiar” caminho. Puro engano.
Passados os 15 minutos iniciais, a equipa visitante acertou com as marcações e o Vitória começou a ter dificuldades de transposição de bola para o ataque.
Os postes, a trave, a exibição de Peiser até podiam desculpar um pouco o insucesso, mas não explicam tudo.

Na segunda parte, o Vitória tentou equilibrar a meio campo com a entrada do “mágico”, mas, sejamos sérios, com tanta gente a meio campo e sem extremos que pudessem flanquear o jogo e entrar até à linha de fundo para centrar em condições, nada feito. Assim, de que adianta ter aquele “cepo entrançado” de 2 metros a jogar, se não lhe chega jogo à área e, quando está lá a bola, ele anda perdido no meio campo a fazer de pivot, como no andebol? Talvez fosse boa gestão de recursos humanos proteger (e fazer descansar) um jogador que está em clara baixa de forma e dar a vez a outros com características mais de acordo com o futebol que o Vitória tem vindo a jogar. É que nesta altura, Douglas merece claramente uma oportunidade séria de mostrar o muito que vale. Haja seriedade e vontade de lhe dar essa oportunidade!

As substituições no Vitória foram inconsequentes, desequilibraram a equipa e abriram espaço a que os jogadores velozes da Académica furassem a defesa (e as redes do Vitória) por duas vezes, selando o triunfo academista com um chapéu vistoso perante o desamparado Nilson, que nada mais podia fazer.

Pela segunda vez neste campeonato o Vitória perde em casa, com outra equipa da zona centro, com um orçamento claramente inferior, mas com querer e garra imensamente superiores. Já agora, vale a pena pensar nisto…

Ah, e que dizer das infelizes declarações finais de Alex e MM?
Alex falou na teoria de anti-jogo da Académica. Essa já não pega! Se tivessem feito mais pela vida, se tivessem feito golos, os da Académica podiam fazer todo o anti-jogo do mundo, que ninguém falava nisso nem se importava…
Quanto a MM, depois de dizer pérolas como “Este clube tem uma identidade, e quem cá está tem de saber conviver com a exigência dos sócios; quem não tiver estofo para aguentar a pressão não pode cá estar." e “"o importante agora é rectificar o resultado na próxima jornada, contra o FC Porto, no Dragão”, só prova que ele anda a brincar com a inteligência e paciência dos exigentes adeptos do Vitória.
Para mim, a solução pragmática era pô-lo a andar rapidamente do Vitória! A ele e a mais alguns que por lá andam a fazer de conta que estão a beneficiar o Vitória!

Os melhores /(se é que isso é possível…):
1.Nilson (pela garra, concentração e, sobretudo, o seu vitorianismo!)
2.N’Diaye (temos ali um bom defesa central em potência. Haja juizinho na orientação do processo).
3.Jorge Ribeiro (Uma exibição cheia de garra e vontade de vencer. Ainda alguém se lembra de Edson Sitta?)

publicada por Saganowski @ 11:24  

4 Comentários:

  • Às 27 fevereiro, 2011 15:21 , Blogger CASCAVEL disse...

    Isto adivinhava-se.
    A jogar com o VITÓRIA tem jogado (quase sempre mal), é evidente que a probabilidade de derrota é muito maior do que a da obtenção de resultados positivos. O Senhor de La Palisse não conseguiria dizer muito mais do que isto.
    É verdade que, desta vez, a equipa até entrou bem no jogo, pressionando o adversário e empurrando-o para a sua retaguarda.
    O VITÓRIA, durante os primeiros 15/20 minutos, deu a ideia que acabaria por conquistar os 3 pontos.
    Dispôs, durante a primeira parte, de 3/4 oportunidades claras de golo que, a serem concretizadas, poderiam levar a outro desfecho que não aquele que veio a verificar-se.
    Mas também é justo dizê-lo que as oportunidades resultaram quase sempre de lances de bola parada.
    Ou seja a equipa cria pouco jogo.
    O problema desta equipa está no meio campo.
    Os médios, seja o mais defensivo ou os de transição, não conseguem definir bem o jogo.
    Quando a bola lhes chega, apenas conseguem devolvê-la para trás ou para os lado.
    Quando tentam jogar para a frente, fazem-no com recurso a lançamentos longos que, quando são bem sucedidos (e não o são muitas vezes) permitem, pela distãncia percorrida da bola, que o adversário se consiga facilmente reposicionar e, dessa forma, "matar", com mais ou menos dificuldade, as intenções Vitorianos.
    O nosso meio campo não consegue ultrapassar a barreira que lhe aparece pela frente.
    Seja através de combinações com os avançados, seja na disputa de "um-para-um" com os médios adversários.
    Tem sido este, a meu ver, o grande problema da equipa.
    É certo que, neste jogo, se a sorte nos tivesse protegido (como algumas vezes sucedeu este ano), podíamos ter ganho o jogo.
    Bastava que uma das oportunidades criadas (e foram algumas) tivesse sido concretizada.
    O que é facto é que desta vez tal não sucedeu, umas vezes por azelhice dos nossos avançados e outras por mérito do "redes adversário", e como tal acabámos por perder o jogo e, dessa forma, a subida, ainda que à condição, ao 3º lugar.
    Esta vitória, a ter ocorrido, deixava o VITÓRIA com as portas da classificação Europeia escancaradas.
    Pelo contrário, a derrota permitiu a aproximação dos que nos perseguiam, colocando maior pressão na equipa para as últimas jornadas da competição.
    OS MELHORES:
    1. NILSON.
    2. R. MIGUEL.
    3. JOÃO RIBEIRO.

     
  • Às 28 fevereiro, 2011 14:36 , Blogger Jeremias disse...

    Sobre as declarações de Manuel Machado só me apetece fazer um comentário: Quando se joga bem ganha-se mais vezes. É dos livros!
    O Barcelona tem os resultados fabulosos que se conhecem porque joga muitissimo bem.
    E para no Vitória se priorizarem os pontos ás exibições era necessário que estas tivesse sido alguma vez satisfatórias.
    Como se sabe esta época não tem sido o caso com raras excepções.
    Quanto ao jogo partilho das opiniões de SAGANOWSKI e do CASCAVEL.
    Sem deixar de enfatizar que fomos a unica equipa que mereceu ganhar.
    Á Académica,ó ironia,saiu-lhe uma espécie de Euromilhões.
    Quanto ás lacunas no nosso meio campo talvez não fizesse mal ao professor MM ir ver uns joguitos dos juniores.
    Porque existe lá um número 10 de muito boa qualidade chamado Tiago Rodrigues.
    Que,ainda por cima,é bom a marcar livres.
    Claro que tem 19 anos e isso para um português,no Vitória,é grave inconveniente.
    Porque se for brasileiro (João Pedro,Crivellaro,etc)passa a ser vantagem.
    Os melhores:
    1)Nilson
    2)Rui Miguel
    2)Toscano
    3)

     
  • Às 28 fevereiro, 2011 18:52 , Blogger Ernesto Paraíso disse...

    Eu não alinharia por visões tão catastrofistas como as que já li aqui.
    O Vitória não fez um jogo deslumbrante, mas jogou o suficiente para ganhar, superiorizou-se à Académica em todos os parâmetros de quantificação do jogo, excepto no mais importante que são os golos.

    Foi a equipa com mais posse de bola, mais ataques, mais remates, mais cantos, etc. E tudo com vantagens esmagadoras.

    Só que as coisas não funcionaram logo na primeira fase do jogo, e a equipa passou a defrontar dois adversários: a Académica, e o público.

    É triste de ver, na minha opinião, mas é o que temos por cá.

    Farto-me de ver jogos de Inglaterra e da Alemanha e nunca vi destas cenas. Mesmo perante equipas em inferioridade no marcador, os seus adeptos não assobiam quando a equipa tenta circular a bola pela defesa.

    é uma maneira de viver o futebol, mas não é, na minha opinião, a mais eficaz para ajudar a equipa a obter resultados.

    Os melhores:

    Nilson
    João alves
    alex

     
  • Às 28 fevereiro, 2011 18:56 , Blogger Ernesto Paraíso disse...

    Só mais um comentário em relação a Manuel Machado.
    Depois de se ter demarcado da equipa no jogo com o Benfica ("jogadores de baixo orçamento não me deixam mostrar o meu real valor"), com o Leiria("mandei-os jogar prá frente, mas não conseguiram"), repete agora com a Académica ("jogadores sem estaleca para ouvir assobios não podem jogar aqui").

    Parecem-me intervenções infelizes umas atrás das outras e isso não abona em relação à liderança de MM

     

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