16.9.09

A CAMINHO DO ABISMO.

O Prof. Manuel Machado, nos dias imediatos à goleada do Setúbal na Luz, disse que naquele dia o futebol Português regrediu mais de 20 anos (acho que as palavras foram exactamente estas).
Esta(va) carregado de razão o treinador Vimaranense.
Resultados como aquele eram frequentes no campeonato Português até à década de 80, nomeadamente quando a maior parte das equipas se deslocavam à Luz e a Alvalade (o dominio Portista é mais recente).
Por essa altura a viagem de equipas como o VITÓRIA a Lisboa era sinónimo, com (poucas) honrosas excepções, de regressar a casa com umas "cabazadas" na bagagem.
Felizmente esta situação começou a alterar-se e, nos últimos anos, o equilibrio passou a ser a nota dominante nos jogos disputados entre todas as equipas da principal divisão do futebol Português.
Continuaram a existir, aqui e ali, resultados desiquilibrados, mas essa passou a ser claramente a excepção que apenas confirmava a regra. De quantas goleadas há memória nos últimos 20 anos???? Seguramente muito poucas.
E assim é que a "coisa" estava bem.
Não concebo uma competição altamente desiquilibrada entre os seus intervenientes, como parece ser a Superliga deste ano
Essa situação, a prazo, provoca um "aborrecimento" nos espectadores, que naturalmente levará a que deixem de ser "consumidores" dum espectáculo desportivo tão desiquilibrado. Como diz o povo: "ninguém gosta de ver bater no ceguinho".
Neste campeonato, daquilo que tenho visto, a diferença de potencial dos ditos "grandes" (com a excepção, pelo menos para já, do sporting) parece-me abismal para todos os demais.
Equipas como o Setúbal e Naval estão nos antípodas de Benfica e Porto.
Ainda na última jornada cedo se percebeu que o porto não dava a mínima hipótese ao leixões (ao intervalo já estava 4-0! há quanto tempo não sucedia um resultado tão desnivelado ao intervalo num jogo da liga?) como o benfica também não dava a mínima chance ao belém.
Isto, repito, não é bom para o futebol, com prejuízo claro para todos os outros que não os "grandes".
Daí que não restará outra alternativa aos "pequenos" que mudar o "status quo" do futebol Português, caso contrário este acabará por sucumbir.
Daí que, na liga, terão que unir esforços de modo a aletrar esta situação, alterando os regulamentos, que permitam equlibrar os pratos da balança entre todos os competidores.
Com medidas artificias que conduzam ao equilibrio, como acontece em muitos campeonatos por esse mundo fora, do qual a (fantástica) NBA é o melhor exemplo.
Medidas que passam pela repartição das receitas de televisão e publicidade de forma equitativa entre os competidores; que proibam o empréstimo de jogadores entre os clubes participantes nas mesma competições; que impossibilitem que os clubes mantenham, sob contrato, mais do que por ex. 30 jogadores por ano; que limitem através de um tecto salarial o orçamento de cada clube; que não permitam os jogos à semana, que apenas servem para beneficiar os "grandes" já que dessa forma podem fazer descansar por um maior espaço de tempo os seus jogadores para os jogos das competições europeias; que "obriguem a comunicação social a conceder idêntico protagonismo a todos os clubes; etc, etc, etc.....
Só medidas como estas (ainda que artificiais) permitem voltar a equilibrar os competidores e, como tal, tornar as competições mais competitivas.
Porque só competições competitivas chamam multidões.
Não me parece viável um campeonato disputados apenas por 3 equipas?!?!?
E este grito do Ipiranga pode e deve ser dado pelo VITÓRIA. Porque, entre outras coisas, é o clube, entre os "não grandes", que tem mais sócios e adeptos a assistir aos jogos, que tem a massa associativa mais apaixonada e que não tem sócios "de duas cores" e como tal nunca se preocupam com interesses de "terceiros".
Os outros, mais tarde ou mais cedo, vão perceber a encruzilhava em que estão metidos e não lhes vai restar outra alternativa que seja juntar-se a esta revolta como forma a combater esta autêntica "asfixia democrática" em que estão metidos.
Por isso é preciso unir esforços (até porque os interresses são comuns), para se conquistar um "25 Abril" para o futebol.
E na Liga terão que concertar posições para um objectivo comum, que passa por combater a hegemonia dos grandes.
Caso contrário o futebol Português caminha a passos largos para o abismo, ou seja, para que passem a existir apenas 3 clubes.
É que não me parece possivel que existam pessoas que queiram ser adeptas de clubes que semana após semana são "brindados" com goleadas ou que apenas são capazes de perder por poucos.

publicada por CASCAVEL @ 18:47  

3 Comentários:

  • Às 16 setembro, 2009 22:57 , Blogger Ibraim disse...

    Estamos claramente de acordo, meu caro Cascavel.
    De facto, urge que alguém lidere um movimento desse tipo de modo a dar uma valente pedrada neste charco em que está transformado o nosso campeonato.
    Estamos também de acordo em que a líderança natural de um movimento destes terá ser do Vitória.
    Mas, para isso, é necessário que surja uma figura com o carisma suficiente para conseguir mobilizar esta "maioria silenciosa".
    Ainda faltam alguns meses até às próximas eleições...
    Será que neste Universo de 30 mil sócios não se consegue encontrar alguém assim?...

     
  • Às 17 setembro, 2009 10:57 , Blogger Sempre disse...

    POR UMA REVOLUÇÃO NO FUTEBOL EM PORTUGAL:
    Revolucionar o Futebol profissional em Portugal, pela implementação de um novo modelo de gestão, financiamento e organização.

    Petição em:
    http://www.ipetitions.com/petition/revolucaofutebolportugal/

     
  • Às 18 setembro, 2009 18:52 , Blogger Paulo César disse...

    Excelente.

     

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