18.1.12

Conselho Vitoriano, a última esperança...

Estamos num impasse, é verdade, mas que diabo…

Se está provada à saciedade a incompetência desta Direcção, quer no plano desportivo, quer no plano financeiro, se está provada também a vontade inequívoca de uma parte significativa dos sócios, em submeter à consideração de todos a sua destituição, e se está provada também a recusa do Presidente da Assembleia Geral (PAG) em defender os nossos direitos, preferindo optar pela defesa da Direcção (que lhe ofereceu o lugar), porque razão é que o Conselho Vitoriano não assume as suas responsabilidades, e devolve ele próprio a palavra aos sócios?

Porque não estão convencidos da razão que nos assiste?


Mas então, será possível considerar como competente o desempenho de uma Direcção que nos tem levado ao descalabro desportivo que temos vivido nestes últimos tempos, com a manifesta perda de qualidade nas três principais modalidades do clube? Será possível considerar como competente o desempenho de uma Direcção que tem levado ao crescente abandono das bancadas do nosso estádio e do nosso pavilhão, por parte dos sócios?

E o que dizer do descalabro financeiro em que nos encontramos, em que os milhões da venda de jogadores (como é o caso da do Bebé), simplesmente se volatilizaram sem se perceber muito bem para onde, para quem e muito menos para quê?

E o que dizer de uma gestão em que não se faz a mínima ideia daquilo que se anda a fazer? Como é possível que o Vice-Presidente para a Área Financeira possa pensar, durante um ano inteiro, que o balanço é extremamente positivo, que dias antes da AG para apresentação do Relatório e Contas possa vir dizer que se tinha enganado e que afinal era pouco positivo, e que no próprio dia da AG, acabe por reconhecer que na realidade tinha sido negativo?

É que já nem é a qualidade da gestão que levou a esse descalabro que está em causa. É o facto de não fazerem a mais pálida ideia do que andam a fazer. Como é possível administrar o que quer que seja, quando o desnorte atinge estes limites?

E o que dizer da competência de uma Direcção que quase 3 meses depois de ter tomado conhecimento da gravidade da situação, ainda não foi capaz de conceber um plano para a recuperação financeira do clube?

Será possível que ainda restem dúvidas sobre a incompetência desta Direcção?


Mas afinal, qual é a dúvida que lhes pode restar?


Vamos deixar embalar-nos pela conversa de vendedor de banha-da-cobra (que é a do PAG), que afirma não ter como certa a vontade inequívoca dos sócios subscritores da petição em requerer a AG extraordinária, só porque a maior parte das assinaturas foi feita em folhas brancas, em que não constava aquilo que estavam a subscrever?

É evidente que parece tratar-se de um erro grosseiro, uma vez que esse texto deveria constar em todas as folhas, mas alguém acredita realmente que as pessoas não soubessem aquilo que estavam a assinar? Pensavam o quê? Que estavam a inscrever-se para alguma excursão? Ou que estavam a assinar um voto de confiança à Direcção? Porque se as pessoas tivessem sido enganadas nessa recolha de assinaturas, com certeza que, nestes quase dois meses que já decorreram desde a sua entrega, já muitas se teriam queixado na praça pública, ou na internet, ou até na blogosfera. No mínimo, já o teriam comunicado ao PAG e, se o tivessem feito, com certeza que este já as teria vindo mostrar publicamente, com grande pompa e circunstância.

Não, meus senhores, a lista pode ter um erro de forma, mas a vontade dos seus subscritores é clara e inequívoca,

E a manifestação no complexo da Unidade, com mais de duas centenas de sócios? Não é essa uma prova inequívoca da vontade dos sócios? Não eram eles mais de 120?

E o chumbo das contas, quase por unanimidade, na presença de mais de dois mil sócios? Não é esse um claro e inequívoco sinal da vontade dos sócios? Não eram também eles mais do que os tão propalados 120?


Estamos num impasse, em que o PAG deita mão a tudo aquilo que pode, de forma a ir evitando e adiando aquilo que sabe ser inevitável, tentando deste modo salvar a sua pele e a dos seus pares, eternizando-se no poder, quiçá para tentar garantir o seu lugar ao sol, numa futura (?) SAD.

E se não podemos contar com o PAG, que mais parece a Guarda Pretoriana desta Direcção, quem nos poderá ajudar a sair deste impasse?

A nossa última esperança reside no Conselho Vitoriano, que tem hoje a oportunidade de provar, não só a sua independência em relação à Direcção, mas também a de mostrar que se preocupa com o clube e que está ao lado de quem deve estar – os sócios.

Segundo os estatutos do Vitória, na alínea “b” do artigo 28º (sobre as reuniões da Assembleia Geral), a AG reúne “extraordinariamente, por decisão (…) do Conselho Vitoriano”. Na alínea “c” do artigo 38º (sobre as atribuições do Conselho Vitoriano), diz que este a pode “requerer, sempre que o entender necessário” e, na alínea “e” do mesmo artigo, diz ainda que o CV deve “promover as diligências necessárias para, em momentos de crise, apresentar à Assembleia Geral propostas de resolução tendentes a assegurar a mais adequada e rápida resolução de questões da vida do Clube, designadamente da sucessão directiva”.


As últimas palavras, gostaria de as dirigir ao Conselho Vitoriano, mas agora na segunda pessoa…

São os próprios estatutos do clube quem vos dá os instrumentos necessários para que possamos sair desta crise.

Ninguém vos está a pedir para destituir a Direcção.

Apenas vos pedimos que, mediante a provada incompetência desta Direcção, e mediante a clara e inequívoca vontade dos sócios, lhes devolvam a palavra.

Serão os sócios, em AG extraordinária, quem irá decidir se essa destituição é justa ou não.

E os sócios saberão fazê-lo em consciência…


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publicada por Ibraim @ 18:29  

2 Comentários:

  • Às 18 janeiro, 2012 22:01 , Blogger Jeremias disse...

    Subscrevo por inteiro o teu post que traduz não só o sentimento de angustia de um vitoriano perante a situação do clube como também o entendimento do que devia ser o "Conselho Vitoriano".
    Devia ser mas não é.
    Porque infelizmente o CV (este e todos os anteriores) não representa os sócios do Vitória mas sim a direcção que o nomeou.
    E depois das jornadas vitorianas, organizadas pelo dito CV, completamente orientadas em termos de escolha de oradores para o "empurrar" dos associados para a SAD que a direcção quer perdi qualquer ilusão sobre a independência de actuação do referido orgão.
    Vão ter de ser mesmo os sócios a resolverem a situação.
    E espero que no âmbito de uma próxima revisão estatutária se estipule que o CV passa a ser eleito pelos sócios, com possibilidade de apresentação de listas independentes das candidaturas aos orgãos sociais, através do método de Hondt.
    Porque,caso contrário, o CV continuará a servir essencialmente para garantir o quorum á mesa dos lanches do camarote presidencial.

     
  • Às 19 janeiro, 2012 08:04 , Blogger Luís Freitas disse...

    Grande, grande crónica! Do fundo do coração,parabéns ao seu autor. Não tenho mais palavras a acrescentar a esta crónica.
    VIVA O VITÓRIA SPORT CLUBE!

    Luís Freitas
    Sócio 17176

     

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