6.2.06

Fernão Peres de Trava

Queria só dizer que ouvi - como se ouve já à boca cheia pela cidade - que um vimaranense (?) surgiu num blog citadino a desejar ardentemente a nossa descida de divisão, tendo já supostamente guardada uma garrafa de champanhe para a, na sua perspectiva, feliz ocasião.
Sem mais, pretendo referir que considero tal INADMISSÍVEL e INSULTUOSO. Aguardo só que seja frontalmente assumido.

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publicada por Paquito @ 11:29  

19 Comentários:

  • Às 06 fevereiro, 2006 13:14 , Blogger Raymond Goethals disse...

    Mas qual é o problema de um vimaranense desejar que o Vitória desça? Se fosse um vitoriano a desejar a descida do Vitória - como os há todos os dias a almoçar em certos restaurantes em ruas transversais à estrada de Fafe, ali bem perto do Intermarché - aí sim, ficaria muito preocupado. Aí sim, ficaria indignado. Aí sim, escreveria qualquer coisa.
    Agora, acaso um vimaranense é obrigado a ser do Vitória? Por alma de quem? E também temos de gostar do Dino Freitas? E temos que vestir Tony Miranda? Eu sou vimaranense, não sou adepto do Vitória e não admito que ponham em causa o meu amor pela cidade. É que se o fizerem, aí sim, estão a ser insultuosos. Há que, para bem da bola e da cidade, deixar de confundir coisas. É que enquanto as confundirmos, nem uma nem outra andam para a frente.

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 15:25 , Blogger Gregório Freixo disse...

    Já agora, meto a minha colherada.
    A questão que é posta no post não é a da obrigatoriedade de se ser vitoriano pelo faco de se ser vimaranense. Quanto a isso, julgo que estamos todos de acordo que a questão não se põe.

    A questão é outra. É ser-se vimaranense e odiar-se o Vitória. Eu aí, sinceramente, por mais voltas que se dê, não entendo como é possível.
    Não sei se será o teu caso, Goethels.
    Por outro lado, achar que é comparável o Tony Miranda e o Dino Freitas ao Vitória... Enfim...

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 16:07 , Blogger N'Dinga disse...

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  • Às 06 fevereiro, 2006 16:14 , Blogger N'Dinga disse...

    Volto a repetir (e repetirei à exaustão) aquilo que já aqui escrevi. As paixões clubísticas, como todas as paixões, têm, pelo menos, duas características:
    a) são inexplicáveis do ponto de vista racional;
    b) são exclusivas.
    Ora assim sendo, por um lado, não acho nada estranho que haja vitorianos no Algarve (conheço um e nunca teve nada que ver com Guimarães, só simpatiza com a equipa), nem vimaranenses de outros clubes; por outro lado, parece-me normal que quem é apaixonado por um clube deteste todos os outros... eu, por exemplo, adorava que, pelo menos 5 estádios da nossa liga profissional desabassem quando estiverem cheiinhos dos respectivos adeptos, são eles e por esta ordem: a Luz, o Dragão, o Bessa, Municipal de Braga e Alvalade.
    A irracionalidade nestas coisas vai ao ponto de, apesar de interessar mais ao Vitória que o Leiria perdesse com o Benfica, não ter conseguido deixar de ficar mesmo contente com a derrota destes e, no meu íntimo, ter tido pena que não fosse por mais...
    Também espero que compreendam. É que não tenho nada contra os clubes em si nem contra as cidades, mas ando, mais ou menos desde que gosto de futebol, cheio dos adeptos deles...

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 16:20 , Blogger N'Dinga disse...

    Quanto ao post em causa, acho que a reacção de certas pessoas me faz lembrar a actual reacção do mundo árabe em relação aos tão famosos cartoons de Maomé... os cartoons, às tantas, são exagero, mau gosto e falta de respeito, mas a reacção é inqualificável.
    Ou podemos todos dizer o que sentimos (por isso acabei de desejar um mal enorme a milhares de adeptos de determinados clubes - claro que excluí mentalmente da tragédia os amigos que tenho nos adeptos de todos eles) ou não podemos.
    Se pudermos, convém que possamos todos, quer gostemos, quer não.

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 16:22 , Blogger PAQUITO disse...

    Caro Goethals,

    Nem sei que te responder quando perguntas "qual é o problema"...
    Subscrevo o dito pelo nosso Gregório, sempre atento e oportuno, e nem sei se deva gastar o meu tempo e latim a procurar explicar algo que sei de antemão não compreenderás.
    Terá sido devido ao facto de o Estádio do Dragão estar no Euro2004 que alguns advogados até ganharam uns cobres adicionais em escalas para o efeito elaboradas?
    Quantos €uros entraram em Guimarães pelo FCP receber o Multimédia? Ou quando recebeu o Manchester, que vieram muitos.
    Quantos turistas tiveram interesse em conhecer GUIMARÃES quando o Porto foi Campeão Europeu e Mundial, quanto ganhou Guimarães com isso?
    E já agora, quanto terá ganho GUIMARÃES (Hotelaria, comércio em geral e outros serviços) pelo facto de, tendo um clube e estádio grandes, ter sido uma das sedes do Euro 2004? E quanto terá ganho por ter o Vitória, este ano, ido à Taça UEFA? Quantos polacos, ingleses e turcos vieram cá? Quanto gastaram? Quantos dos que não vieram passaram a conhecer a nossa cidade? Terá tido mais importância para Guimarães ter ido perder 3-1 a Sevilha e levar mais de 3.000 adeptos (no que foi pelos adeptos do Sevilha descrito como a maior deslocação de que se lembravam) ou o Porto ganhar nessa mesma terra a Taça UEFA?

    Ainda me lembro, há mais de 7 anos e meio, ter ido à Irlanda. Uma noite, em viagem, parei num bar de um local que era um autêntico ermo. Enquanto bebia a minha paint, fui abordado por um simpático que percebeu ser eu estrangeiro. Perguntou-me de onde era, respondi Portugal, ao que insistiu, mas de onde?, retorqui que ele não devia conhecer, era uma terra do norte, acima do Porto, insistiu, mas como se chama?, esclareci, Guimarães. Respondeu-me: "Ah!! Borussia de Möenchengladbach!"

    SERÁ QUE O VITÓRIA TEM ALGUMA COISA A VER COM GUIMARÃES???
    Realmente só quem for muito estúpido é que pensa que tem.
    De facto, é indiferente para a nossa terra ter um clube europeu, que divulgue o nome da cidade, ou um clube na 2ª divisão.
    De facto é indiferente ter as mais-valias que nos proporciona o nosso Vitória e os eventos internacionais que com elas vêm, ou nada ter.
    É indiferente termos um fenómeno tão motivador e mobilizador da nossa terra que consegue arrastar 17.500 pessoas para um jogo num domingo à noite, a dar na TV, termos mais de 3.000 pessoas num treino (quando o Boavista não chegou a esse número de espectadores num jogo no dia anterior), tudo isso, todo esse factor de união e mobilização dos VIMARANENSES é indiferente para ti? Tanto podia ser causado pelo Vitória, como pelo Dino Freitas ou pelo Tony Miranda.
    É tudo indiferente, para GUIMARÃES.

    Sabes Goethals, tenho pena é não seres político ou exerceres função pública ou meramente liberal, porque se o fosses, desafia-te a pores em causa essa tua opinião, assumindo publicamente não apenas que não és vitoriano, como que desejas que o Vitória desça.
    Talvez te confrontasses com o ridículo daquilo em que supostamente acreditas...



    nota: disponho-me a assumir a minha identidade, se também o fizeres. Em menos de 7 minutos e meio.

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 16:40 , Blogger Jesus disse...

    "Mas qual é o problema de um vimaranense desejar que o Vitória desça?"

    Palavras para quê?
    Um vimaranense não faria nem colocaria em circunstância alguma esta questão!

    Será possível ouvir o toque do Pinheiro na Luz, Alvalade ou Antas?

    Será possível à Cidade lucrar economicamente com a deslocação ao Porto do Glasgow Rangers, como lucrou com a vinda do Bolton?

    Será possível ouvir naqueles estádios como incentivo a uma equipa o grito de "Guimarães"?

    Como explicar que na inauguração dos estádios do Euro 2004 apenas em Guimarães se ouviu e cantou o hino da Cidade?

    Pretender dissociar Guimarães do Vitória constitui uma tentativa desesperada de sossegar uma alma pouco sossegada no propalado amor à Cidade.

    Quanto ao mais, tenho a dizer que coloco em causa o amor à Cidade, de quem vibra com o mal de uma das suas maiores e mais representativas Instituições.

    Isto é objectivo.

    De igual modo, os argumentos "Tony Miranda" e "Dino Freitas" são igualmente sintomáticos da ausência deles para conciliar o amor à Cidade com o desejo da descida de uma das suas maiores Instituições.

    Quanto ao mais viva Guimarães e via o Vitória!

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 17:39 , Blogger Gregório Freixo disse...

    Só queria dizer que subscrevo ipsis verbis os últimos dois comentários.
    Viva o Vitória

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 18:05 , Blogger CASCAVEL disse...

    Eu também.
    Saudações Vitorianas

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 19:35 , Blogger Raymond Goethals disse...

    Subscrevo grande parte das ideias aqui escritas: o Vitória contribui, e de que maneira, para divulgação e expansão do nome da cidade, os incomes turísticos, etc. Agora há aqui dois problemas que se levantam: em primeiro, é não resumir o Vitória à única instituição que leva o nome da cidade por aí fora. É certo que o futebol é paixão e graças a ele sabemos muito de geografia. Mas não se pode resumir a só a isso. Se assim fosse, já devia ter sido campeão, fruto de um unânime e magnânime investimento camarário para levar o nome da cidade até aos quatro cantos do mundo. Como dizia alguém, é apenas um clube. Místico, único, com melhor massa associativa que equipa, acrescento.
    Em segundo lugar, quando se diz ser-se vimaranense e odiar-se o Vitória há que ter uma coisa presente: não há nada nem ninguém nem nenhuma lei que obrigue ou indique que é de bom tom ser do clube da terra. E pior, não há nada de moralmente condenável em não ser, em apoiar um rival e desejar que o clube da terra desça. Há uma clara provocação, é certo, plenamente justificável na ilógica e irracionalidade da escolha de equipas de futebol. E à qual os caros comentadores responderam com ira quando deviam ter respondido com ignorância. Conheço bons cidadãos de Guimarães, que são bons vimaranenses e que são adeptos do Braga. Só não querem é que o Afonso Henriques desabe. O meu caso é diferente. Sou natural de Guimarães, adepto, em primeiro lugar do FC Porto, depois do VSC e não conheço a pessoa em questão.
    E à irónica frase que o Paquito escreve "SERÁ QUE O VITÓRIA TEM ALGUMA COISA A VER COM GUIMARÃES?" respondo com um simples e seco "eu não disse que não tinha, nem pus isso em causa sequer". Lá está, há aqui uma capacidade de ler mais do que está escrito. Mas pronto. No meio disto tudo, e com sinceridade, razão e ponderação tem o N'Dinga. Tal como dentro do relvado, o seu bom senso devia ser um exemplo. Sem censuras fáceis.

     
  • Às 06 fevereiro, 2006 19:58 , Blogger Raymond Goethals disse...

    PS - Será um lisboeta sportinguista que habita em Benfica menos bom lisboeta só por querer que o Benfica perca e desça de divisão, como é natural?
    E será um boavisteiro de Paranhos menos portuense só por querer que o FCP perca e desça?
    Não, é claro que não e toda a gente o sabe. Tal como todos sabem que a descida do vitória era má para a economia da cidade. O que não quer dizer que um vimaranense, ao querer que o VSC desça esteja a dizer algo inadmissível e insultuoso. Está a falar ao abrigo da ilógica do futebol, que é uma das componentes da beleza do jogo.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 11:35 , Blogger PAQUITO disse...

    Plenonasmo: Registo a mudança de registo.

    Que começou com cabedal de pombo e vem a culminar num apelo à razoabilidade (que não está inserta nem presumida em frases como "qual é o problema de um vimaranense desejar que o Vitória desça" ou "temos que gostar do Dino Freitas? E temos que vestir Tony Miranda"), amparando-se no supostamente magnânime escrito do nosso Maomé (deixa-me escrever com maiúscula), aliás, nos seus próprios termos, defensor de um racionalismo no futebol que tu próprio, caro Goethals, utilizavas como justificativo para as tuas opções clubísticas.

    Antes do mais porque, se reconheces expressamente que "o Vitória contribui e de que maneira para a divulgação e expansão do nome da cidade, para os incomes turísticos, etc." como podes achar normal um VIMARANENSE desejar a descida do Vitória?
    Também tem que querer mal à cidade, a esse income e a essa visibilidade, necessariamente!

    E depois dizes que é importante "não resumir o Vitória à única instituição que leva o nome da cidade por aí fora". Ora isso nunca foi dito, por nenhum dos intervenientes!
    Agora o que é reconhecível é que não sendo a única, é certamente a que mais contribui, ou está necessariamente entre as que mais contribuem.
    Responde se puderes: como podes, como dizes, não ter posto em causa que o Vitória tenha alguma coisa que ver com Guimarães, e no mesmo momento, desejar a descida de algo que tu próprio reconheces como amplamente contribuinte para o desenvolvimento e visibilidade da nossa terra???
    Creio haver aqui uma série de contradições absolutamente insanáveis, que talvez se justifiquem apenas por se pretender mudar de um registo ostensivamente provocatório para um forçadamente mais razoável.

    Para terminar, concordo que "não há nenhuma lei que obrigue ou indique que é de bom tom ser do clube da terra", mas que é de bom tom é.
    Também te pergunto: porque selecção vais torcer no Mundial? Espanha? Angola?
    Independentemente do que respondas, saberás responder porque razão os portugueses, ditos normais, serão torcedores daquela a que se chama "a selecção de todos nós" (tirando os portistas por causa do sempre decisivo motivo Vítor Baía)? E já agora, porquê "de todos nós"? De nós, quem?!
    Não sei porque raio de motivo, os franceses torcem por França, os ingleses por Inglaterra, os alemães pela Alemanha, os brasileiros pelo Brasil, não sei, de facto é difícil de compreender...
    E reduzindo à escala, porque motivo os bascos fazem do At.Bilbao uma verdadeira bandeira de afirmação nacionalista, ou em França com o Bastia e Marselha. Porque não são os bascos torcedores do Real Madrid ou do Barcelona?
    Aquilo que é verdade é que em todos os países há pessoas de uma cidade que torcem pelo clube de outra. Mas também em todo o lado isso é absolutamente residual, com estatísticas abaixo dos 5%, tirando neste nosso país à beia mar plantado, onde a pequenez das gentes leva a fenomenos desta natureza, onde não existe identidade, não existe apego pela História e pelos símbolos que nos sejam próprios, que sejam nossos no fundo, sejam eles os rojões à minhota, as Nicolinas, o vinho verde ou o Dino Freitas e o Tony Miranda. São nossos e só nos os podemos compreender e só a nós podem representar.

    Não sei por isso quando queres que comece e termine a racionalidade no futebol. Se pretendes que comece na análise às bojardas provocatórias e que termine na escolhe do clube, que dizes que "a escolha de clube é necessariamente algo irracional". É que tens que decidir, ou bem que é racional, ou bem que é irracional.
    Para mim digo-te, a escolha de clube nada tem de irracional. Ou bem que se é do clube com o qual temos identidade, é o normal: o clube, a selecção, o exército, o governo da(s) nossa(s) terra(s), ou so se é de um outro numa de duas situações: 1. Herança familiar (onde existe o elemento razão, mais não fosse por uma imposição paternal); 2. Falta de personalidade (o clássico exemplo dos que necessitam de se amparar a algo GRANDE para se sentirem grandes eles próprios, porque geralmente, por si só, nas suas vidas, tem maior dificuldade). Há um terceiro motivo que é a ignorância pura, mas esse é um fenómeno que explica mais o benfiquismo da interioridade.

    Por isso considero grave que digas que "não há nada de moralmente condenável em não ser, em apoiar um rival e desejar que o clube da terra desça". Porque há claramente. Haverá algo de moralmente condenável em aderir às fileiras do exército que combata contra o português? Porquê aí? Sabes o que tem feito a "esses", ou como os tem designado? E haverá algo moralmente em torcer por outra selecção? Não é de facto legalmente condenável, mas é sem dúvida moralmente condenável, porque o facto indesmentível é que a selecção PORTUGUESA não vai buscar os seus adeptos a Espanha, porque a vida é assim mesmo, com lógica.

    O custa é para os que fogem a esta lógica, assumir e enfrentar essa evidente capitis deminutio que têm, enquanto VIMARANENSES.



    nota: Para culminar, desculpa lá Gotehals tratar-te por tu, sei que foste meu mister, mas as deferências terminam quando o mesmo sucede com a carreira.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 15:24 , Blogger Raymond Goethals disse...

    Diz o Paquito:
    "Plenonasmo: Registo a mudança de registo."

    Digo eu: registo a mudança de registo não é Pleonasmo. Este define-se como redundância de termos, como por exemplo, subir para cima.
    Afinal, comecei com cabedal de pombo.

    Diz o Paquito: "Como podes, como dizes, não ter posto em causa que o Vitória tenha alguma coisa que ver com Guimarães, e no mesmo momento, desejar a descida de algo que tu próprio reconheces como amplamente contribuinte para o desenvolvimento e visibilidade da nossa terra???"

    Digo eu: Note-se bem: eu nunca, mas nunca desejei que o Vitória descesse.
    Apenas não acho a coisa mais insultuosa e inadmissível do mundo que um vimaranense que se está nas tintas para o Vitória, desejar que o Vitória desça. Há vida para além da bola.
    Para além disso, como também o disse, repugna-me,sim, a ideia que certos vimaranenses vitorianos queiram mesmo que o VSC desça, com o claro intuito de chegar ao ou de retomar o poder. Esses, ninguém os critica. Esses sim, são inadmissíveis e insultuosos.

    Diz o Paquito: "Aquilo que é verdade é que em todos os países há pessoas de uma cidade que torcem pelo clube de outra. Mas também em todo o lado isso é absolutamente residual, com estatísticas abaixo dos 5%."

    Digo eu: vamos incluir a pessoa que disse que queria que o Vitória descesse nestes 5%. Vamos admitir que ela é uma devota fanática pelo Braga. Que ama o Braga como tu amas o Vitória. Que o seu braguismo advém – palavras tuas – de "herança familiar". Que já apanhou nas trombas por ser do Braga, que é gozado no emprego por ser do Braga. Que achas que essa pessoa deseja para o Vitória? Provavelmente o mesmo que tu desejas para o Braga. E ninguém te acusa de seres mau minhoto - lá está, só mudamos de escala, tal como tu mudaste para uma escala mais ampla ao falares da selecção - por desejares a descida de um clube da nossa província, certo? Isto porque, no plano ideal, qualquer Vitoriano – bom vimaranense e bom minhoto – torceria pelo VSC, Moreirense, Gil Vicente, Braga e por aí fora: primeiro a cidade, depois a região e a província, numa de defender os interesses da cidade, da cidade e da região, da cidade, da região e da província. No plano ideal e racional, escrevi eu. Mas, como tu sabes, as coisas não se passam assim. Sabes que o futebol é um jogo de paixões e de irracionalidade. Que não obedece a lógicas citadinas ou regionalistas. Talvez a única excepção seja mesmo a selecção. Bem o sabes.


    Quando perguntas se "Haverá algo de moralmente condenável em aderir às fileiras do exército que combata contra o português?", a minha resposta é simples: depende. Depende por que tipo de valores está o exército português a combater. Se, por exemplo, tivesse sido aliado do exército alemão entre 39 e 45, eu teria sido o primeiro a aderir às fileiras dum exército que o combatesse. Como vês, nada disto é líquido. Tudo depende das circunstâncias em que surge.
    Volto a dizê-lo e a repeti-lo. Não há nada de moralmente condenável em não ser apoiante do clube da terra, apoiar um rival e desejar que o clube da terra se espete em cada passo que dá.
    Grave para mim é o que tu escreves quando dizes que “o que custa é para os que fogem a esta lógica, assumir e enfrentar essa evidente capitis diminutio que têm, enquanto VIMARANENSES”. Ou seja, um tipo de Guimarães padece de capitis diminutio até por ser do Moreirense, segundo a tua lógica, que pode considerar-se um clube da cidade, também segundo a tua lógica. Ou seja, um bom Vimaranense é aquele que é do Vitória. O que é do Moreirense – e de outros clubes por aí fora – já não é bom filho da terra. Há, em todo o teu discurso, uma coisa que no meu não há: vimaranenses de primeira – os adeptos do Vitória – e vimaranenses de segunda – os adeptos de outros clubes, mesmo da terra, que não o Vitória. E fico contente por não haver essa estratificação no meu discurso, sinal que ainda não uso o futebol como elemento gradual na qualificação dos meus conterrâneos. Que não olho de soslaio para o senhor Albino da mercearia por, apesar de ter nascido em Azurém, ser sportinguista por herança familiar, por vontade de ser grande e por benfiquismo de interioridade (feliz expressão, por sinal).

    Meu caro Paquito (podes sempre tratar-me por tu, até porque eu já morri): em conclusão, aquilo que eu quero dizer é que o futebol não pode ser usado para dar lições de cidadania e de ser ou não ser bom vimaranense ou setubalense ou bracarense a ninguém. E contra isto não há argumento que te valha. Nenhum.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 15:48 , Blogger PAQUITO disse...

    É a tua opinião.
    Que respeito e lamento.
    Ou que lamento e respeito.

    Felizmente com poucos adeptos pelas nossas bandas.
    E também felizmente com cada vez menos.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 16:18 , Blogger Jesus disse...

    Para aqueles que procuram justificar o injustificável;

    Para aqueles que não conseguem conviver com a efectiva "capitis deminutio";

    Uma recomendação:

    Livro do Desassossego
    Fernando Pessoa
    Editora: Companhia das Letras

    «Vou enriquecendo-me na capacidade de criar personalidades novas, novos tipos de fingir que compreendo o mundo, ou antes, de fingir que se pode compreendê-lo.»

    «Sinto-me múltiplo. Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticos que torcem para reflexões falsas uma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.»

    Naquele livro encontramos aquele que por excesso de ausência de alma em tantas fingidas se multiplicou.

    Talvez assim se permita às almas ausentes de vimaranensismo algum sossego e paz, para que no seu íntimo encontrem - embora em vão - os conforto e subterfúgio diversos para afagar a insanável contradição que os atormenta e desassossega.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 16:43 , Blogger Pedro Barbosa disse...

    Não sei porque se preocupam tanto que um miserável vimaranense não vitoriano festeje a nossa decida de divisão.
    O que realmente importa é saber que existem vitorianos, ou melhor dizem-se vitorianos, que desejam a descida de divisão do Vitoria por outras razões como aconteceu com as senhores que por aqui escrevem. Porque eu não sou surdo nem tenho memória curta.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 17:11 , Blogger PAQUITO disse...

    Sempre eloquente este Barbosa.

    Tenho contudo que concordar EM ABSOLUTO.
    Considero que é indigno de viver um vitoriano que, seja por que motivos e em que circunstâncias for, deseje ao Vitória a descida de divisão ou mal similar.
    Quem o faça, sendo-o, não é tampouco digno da condição humana. Quanto a mim.

    Diz este que por aqui escreve.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 19:07 , Blogger vitoriano disse...

    Este comentário foi removido por um administrador do blogue.

     
  • Às 07 fevereiro, 2006 19:44 , Blogger vitoriano disse...

    caros vitorianos:
    Ouve lá o Raymond, tenho dificuldade em entender que gozo pode dar a uma pessoa viver com o mal dos outros.
    No entanto e tendo em conta que não sou médico, deixo para eles a ardua tarefa de analisar este tipo de disturbios.
    Por outro lado, gostaria dizer que nunca e em momento algum, o nosso amor ao clube deixará de existir - Uma vez vitoriano, sempre vitoriano.
    Mas esse amor ao vitória e a forma apaixonada com que vivemos cada momento da nossa história não nós dá o direito de desrespeitar os nossos adversários.
    Na qualidade de vitoriano digo-te que os vitorianos sabem qual é o seu lugar e nunca recorrem a insultos.
    Na passada segunda-feira, o nosso adversário viu um dos seus jogadores aplaudido em Guimarães, porque os adeptos vitorianos reconhecem aqueles que nós servem de forma apaixonada.
    No que diz respeito, a dissociar o Vitória da cidade de Guimarães,tal nunca será possível.
    Até entendo que um Vimaranese não seja vitoriano, mas desejar que o Vitória vá para a......., nem dá para acreditar.
    Por mim esgota-se aqui este tema, porque não podemos alimentar aqueles que nós querem provocar.
    Temos de gastar as nossas energias no apoio ao nosso clube e mais uma vez tenho a certeza que não vamos precisar das lições de um "tonecas" qualquer.

    Abraços para todos mesmo para ti raymond, que aos poucos vais perceber a grandeza deste clube

     

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