23.6.11

Vou ser promovido !...

Esta história do Nilson, de que o Jeremias fala, abriu-me os olhos.

Eu confesso que inicialmente, quando a ouvi pela primeira vez, fiquei com muitas dúvidas sobre a legitimidade da situação.

À primeira vista, a opção do Nilson parecia, no mínimo, discutível e, no máximo, absolutamente reprovável e inaceitável.

Claro que, não sendo eu ingrato, não podia deixar de reconhecer a Nilson o muito que ele já deu ao clube, mas também não poderia aceitar que em virtude disso ele tivesse agora o direito de prejudicar o Vitória.

A verdade é que a sua opção em se naturalizar cidadão do Burkina Faso, parecia poder prejudicar o nosso clube.

A decisão do Nilson, não parecia ter nada a ver com sentimentos patrióticos. Parecia apenas ter a ver com ambições financeiras.

Parecia, parecia, parecia…

Ambições legítimas, desde que não prejudicassem o Vitória.

E a verdade é que tudo levava a crer que iriam prejudicar, e muito.

Durante o tempo em que Nilson vestisse a camisola do Burkina Faso (que não seria assim tão pouco), iria estar a ser pago duas vezes, uma pelo país que o contratou, e outra pelo clube que há sete anos lhe paga e que, durante esse período não teria qualquer benefício que não fosse o risco de que viesse a contrair uma lesão. Durante este(s) período(s), Nilson teria dois contratos, seria pago duas vezes, mas só trabalharia para um.

E até aqui, tudo me parecia verdadeiramente errado.

Parecia, parecia, parecia…

Mas eis que agora surge um coro de vozes que acha que esta atitude do Nilson é legítima, e que todos aqueles que se insurgem contra a situação são uma cambada de ingratos.

Pois bem, se tanta gente assim pensa, às tantas sou mesmo eu que estou errado.

Mas também pensei que se assim é, então talvez eu também pudesse beneficiar alguma coisa. Ofereci os meus préstimos a uma “empresa” concorrente daquela onde trabalho, num trabalho temporário, e eles aceitaram.

Pagavam bem, o trabalho seria o mesmo que eu já faço há muito tempo, e só faltava mesmo convencer o meu “chefe”

Fui então falar com o meu “patrão” e disse-lhe:


“Ó chefe, eu já trabalho para si há muitos anos, sempre fui um bom funcionário, sempre dei o litro, sempre defendi a “nossa camisola”, de modo que agora vai ter de ter paciência mas há aí uma empresa que quer que eu vá lá fazer uma “perninha” e que me paga uma pipa de massa. Eu sei que enquanto lá estiver não vou poder trabalhar para si, mas compreenda que não podia perder esta oportunidade. Eu sei que inclusivamente até pode acontecer que me magoe no trabalho que vou fazer, e que isso pode também prejudicar o meu futuro consigo, mas espero que compreenda… é que é muito dinheiro, percebe? Claro está que o chefe vai continuar a pagar-me tudo conforme está no nosso contrato, mesmo enquanto eu lá estiver, porque eu disso não posso abdicar. É que coisas destas não aprecem todos os dias. Enquanto eu estiver a trabalhar para a outra empresa, vou receber deles e de si. Dos dois ao mesmo tempo, e só tenho de trabalhar para um. É uma situação que eu não poderia desperdiçar, não acha? E, para além de tudo, parece-me uma situação justa, não é verdade, chefe? “


Enquanto eu dizia isto, o gajo estava a olhar para mim, com os olhos esbugalhados e a boca aberta, e não dizia nada.

Não fosse eu estar convicto da razão que me assistia, iria pensar que ele estava estarrecido e não acreditava no que estava a ouvir.

A verdade é que, passados uns minutos, lá acabou por recuperar o seu ar normal e acabou por me dizer para lá voltar mais tarde, já com todas as minhas coisas arrumadas num caixote.

Agora, estou ansioso.

Estou mesmo convencido que ele me vai promover.

Pediu-me para arrumar tudo para me poder transferir imediatamente para o meu novo gabinete, junto da Direcção.

Adjunto do Director? Quem sabe, até mesmo Director?

Em boa hora fui falar com o “chefe”…

Depois da reunião de logo, lá para as 17h, vos direi o que aconteceu…


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publicada por Ibraim @ 11:18  

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