Eu é que não sou parvo !...
Era o que diria Quique Flores esta semana, se soubesse falar português.
Voltando atrás no tempo, ao início de Abril de 2008, quando o Benfica estava como sempre a ser levado ao colo pelas arbitragens, Fernando Chalana, o então treinador interino da equipa, afirmou entusiasmado: "não precisamos da ajuda dos árbitros".
Fernando Chalana no seu melhor, parecia um elefante numa loja de porcelana chinesa.
Não mediu as consequências das suas palavras, tão irreflectidas quanto ingratas, e pagou a factura durante algumas (poucas) semanas.
O Benfica não foi de facto ajudado durante algum tempo e, deixados à sua sorte, acabaram por perder claramente os jogos nesse período, com a Académica (0-3), Sporting (3-5) e FCPorto (0-2), empatando com o Estrela da Amadora, e apenas conseguindo vencer o Belenenses.
O treinador espanhol, que não é parvo nenhum, tem a inteligência suficiente para já ter percebido que quem quer que seja o comandante deste seu barco, conseguirá navegar sempre num mar de águas calmas e amigas, desde que não tenha aquela ideia peregrina de afrontar Adamastor.
No Domingo passado, quando o Benfica foi mais uma vez beneficiado, e um jornaleiro se viu obrigado a confrontar Quique com o facto, dada a dimensão do escândalo, o espanhol limitou-se a responder que "os árbitros têm uma profissão difícil".
Não lhes agradeceu, mas também não os hostilizou dizendo que não precisava deles.
Adamastor não foi afrontado e o mar há-de continuar a ser de águas calmas e amigas para o barco do treinador espanhol.
É por estas e por outras, mais por estas do que por outras, que aquele há-de continuar a ser o adjunto e este O Chefe, que aquele chegou a andar de cadeira de rodas e este será sempre levado ao colo…
