Exmo. Senhor José Marinho,
Presumindo que possa continuar a ler este nosso blog – presença com que muito nos honra – aproveito a analogia ao título de um conhecido livro seu para falar, não das suas preferências clubísticas ou da sua proveniência geográfica, mas da sua profissão. Aquela com que nos serve.
Escolhi ainda este título por ter verificado que, esta semana, o Vitória defrontou o Wolfsburgo, conhecido clube alemão (5º classificado da Bundesliga e afinal, clube que teve “peito” para vir buscar o Alex ao seu glorioso), num torneio internacional onde jogam outros clubes médios da cena internacional e onde estiveram, a crer nos jornais, cerca de 1.000 adeptos vitorianos.
Nas
teelvisões (como dizia o nosso conhecido Adolfo, em música sua, que pode acompanhar enquanto lê -
http://www.youtube.com/watch?v=EDUFtty-aJM) o jogo do Vitória passou totalmente despercebido à cena
teelvisiva nacional.
Claro está que não me refiro à transmissão
teelvisiva, refiro-me tão-somente, a um mero e simples resuminho dum jogo de preparação, mas oficial, ou seja, integrado num torneio.
Mas não, puro engano. Para gáudio do português centralista, as nossas
teelvisões têm-nos presenteado insistentemente com resumos do jogo amigável entre o FCP e um qualquer clube amador alemão, e com um relevantíssimo jogo entre o Dinamo e o Lokomotiv de Moscovo, integrado numa qualquer jornada do campeonato Soviético, perdão, Russo.
E o que é que isto tem que ver consigo?
Pois quanto a mim, tem tudo que ver. Pois que se havia mérito que poderia atribuir à sua contratação (a que já na altura dei realce) era precisamente o seu conhecimento do
mêtier, como na altura designei. Era precisamente a circunstância de poder conhecer a malta boa que decide esta coisas, para a qual o Vitória ou qualquer outro clube para além dos 3 estarolas, só merece reportagem se for jogar contra um dos ditos 3.
Eu sei e compreendo que isto seja assim. Por ex., nos estúdios da SportTV ou da RTP, TVI e quejandos, não deve haver um único vitoriano, a malta ainda liga de Lx lá para os estúdios do Porto, a saber das ocorrências a norte:“
Eh pá há aí alguma coisa de interesse esta semana? Ó meu, aqui no norte é só mesmo o Porto que joga contra o Gutersloh! Contra o quê? Gutersloh! (virando-se para um colega, tapando o telefone) Eh pá este gajo tá a falar comigo e a virar o barco...”
Ora a sua contratação tem como principal argumento (para não dizer único) o tentar mudar este estado de coisas. E nisto, creio mesmo que o senhor, ou alguém como o senhor, representam uma aposta certa da Direcção. Mas agora, é preciso começar a ver qualquer coisa sob pena de ter que dar razão aos que não viram grande mais-valia na contratação de alguém estranho às reivindicações do Vitória e dos vitorianos.
E vamos a factos:
Esta semana o Porto (Futebol Clube) veio referido como uma marca (
brand se preferir) com determinado valor, sendo uma instituição com cerca de 100.000 sócios e alegadamente 2,8 milhões de adeptos. Quanto aos adeptos não me pronuncio pela falibilidade de tal dado, como aliás, estou certo não haver um único portista que de mim discorde sob pena de validarem o famoso número dos 6 milhões.
Mas já considero relevante que o Vitória, um Clube que apenas tem uma Supertaça no seu palmarés, tenha 30% dos sócios do Porto, bi-campeão europeu e duas vezes vencedor da Taça Intercontinental.
Com isto quero dizer: será a diferença assim tão grande que justifique tamanha diferença de tratamento jornalístico? Aliás, até as diferenças de lotação nos estádios demonstram isto mesmo, o Vitória tem médias que são bem superiores a 50% das médias de espectadores dos 3 estarolas.
E será que isto justifica que tenhamos que levar com tudo o que eles fazem nos treinos, almoços e jantares e a caminho deles, e do Vitória raramente passe 1 mn de
teelvisão, a não ser para vir analisar como reage a fauna local a inusitados e até provocatórios resultados e classificações, como os do ano transacto?
Isto de facto não se justifica. Aliás revolta. A mim revolta-me este país parolo.
E pode achar estas palavras duras, mas acredite que depositamos em si as esperanças de mudar este estado de coisas. Não tenho nenhum alegria em lhe “malhar” a torto e a direito, nem tem este post esse propósito. Entenda estas palavras como profilácticas, para que melhor e mais rapidamente consiga tornear a sua maior dificuldade na posição que ocupa: não saber quais são as nossas reivindicações.
Por ex. não poderia o Vitória, até a expensas próprias, fazer um acordo com a GmrTV de forma a que este canal on-line deslocasse meios técnicos e humanos com o Vitória para estágio, podendo depois negociar o produto da recolha de imagens com os canais nacionais de
teelvisão?
Não será esta difusão, esta divulgação da carreira do Vitória também uma forma de nos engrandecer? Afinal, não será essa a forma pela qual os ditos grandes se engrandecem? (excepciono o Porto porque ser o único que tem resultados que o justifiquem).
É nisto que temos que apostar e de imediato!Consigo como responsável pela nossa comunicação, não aceitamos mais esta contínua discriminação do Vitória face aos demais.
É certo que a sua primeira aparição pública, na vertente comunicacional deixou muito a desejar (atenta a indescritível e já abordada qualidade visual daquele pano), mas esperamos - eu pelo menos espero - de si, uma actuação assertiva e decisiva nesta vertente da comunicação.
Perante a comunicação social.
Se conseguir isto já terá valido a pena (e muito!) a sua contratação. Esperamos agora que atalhe caminho para não permitir que voltem a acontecer coisas como esta da ignorância nacional à nossa participação na Obi Cup.
Peço desculpa aos restantes pela (habitual) extensão.
Espero possa valer a pena.
Etiquetas: Imprensa desportiva, jornaleiros, Paquito